Quis o infortúnio ou a ventura que ambos entrassem timidamente um na vida do outro, porém de forma fervorosa. Não sabiam ao certo como o acaso os reuniu. Eram de poucas palavras, olhares fortuitos.
Totalmente diferentes, mundos opostos, mas "com alguma coisa em comum". Começaram a se falar em doses homeopáticas. E descobriram que a única coisa que os ligava era o fato de nunca terem manifestado seus sentimentos, nunca terem dito ou ouvido as três palavras que todos nós buscamos a vida toda falar e ouvir, três simples palavras, mas com um forte impacto na vida de quem diz e ouve. EU TE AMO.
Vidas frustradas por nunca se sentirem completamente completos. Eram incapazaes de amar e serem amados. Não faziam idéia de que esse era o elo que os uniria para sempre.
O tempo passou e o elo ficava mais resistente. Agora só tinham um ao outro. Repeliam tudo e todos que tentavam uma aproximação maior, mais consistente. Se tornaram pessoas ácidas e imaginavam que terminariam a vida no mesmo ponto que se encontraram. Pessoas de hábitos simples. Almoço na casa de um, café na do outro, teatros juntos, dvd de noitinha. Poucos risos. Muitos lamentos.
A cada ocasião se descobriam. Viam-se como se fosse um espelho e o mundo oposto que os afastava ia sendo levado para longe...muito longe.
A medida que o tempo passava, tinham mais certeza que um completava o outro, mas era difícil assumir. Essa tarefa exigia um grande esforço, tentativa essa que lhes faltava coragem, por medo de errar.
Como ficou claro para ambos que eram mais que conhecidos, voltaram a estaca zero, poucas palavras, olhares fortuitos.
Dias mais tarde sentiram que algo faltava em suas vidas e que esse "algo" era sabido pelo dois. Medo, paixão, desilusão, ternura, um certo gosto de fel na boca e por fim, amor.
Se perguntavam se realmente valeria a pena arriscar suas vidas estabilizadas por um amor. Amor, sentimento dos tolos, dos idiotas que acreditam em finais felizes de novelas. O amor não existe. O amor é utópico.
Como eram metódicos foram ao dicionário e descobriram que para se achar um sinônimo para amor, precisariam ver a antonímia de desinteligência, desprezo, indiferença e repulsão, o que lhes comprovava ainda mais que estavam certos, de que amar era impossível, que o amor foi inventado pela sociedade. Não há como ter forte afeição por outra pessoa que não seja as dos laços consangüineos. E eles acreditavam que até esses, poderiam ser forjados.
Não conseguiam resolver esse enigma sem se consultarem, afinal, tantas idas e vindas, tantas histórias marcantes, conversas que acabavam sem fim, sofrimentos e até alegrias compartilhadas.
Se encontraram. Acharam absurdamente bizarro quererem falar do mesmo assunto. E ainda por cima, terem a mesma opinião.
Após muitas discussões em torno do amor, deixaram suas mãos se tocarem. Em anos que se conheciam nunca haviam se tocado, raras as vezes que se deram as mãos como forma de cumprimento, que fique isso claro.
Seus olhos não se desgrudavam, palavras não saiam de suas bocas, mas seus gestos falavam mais alto.
Seus rostos se tocaram. Suas bocas começaram a se conhecer. Enfim, o beijo, nascido desse amor há anos remoído em seus seres.
E, após o beijo, simultaneamente vieram os "eu te amo" como um grito de dor que há tempos estava preso.
domingo, 27 de maio de 2007
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Um comentário:
*hum...
nom gostei, não!
=|
Ow Manu, não tem office ae?
digita primeiro no word, rs!
Ai ele vai corrigindo essa falta de acentos.. rs!
=*
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